Investigadores NMS validam metodologia de avaliação de fibrose no fígado em doença hepática não alcóolica

O estudo desenvolvido por membros do grupo MEDIR, liderado pela investigadora Paula Macedo, apresenta uma possível forma de diagnóstico não invasiva que poderá diminuir a necessidade de exames mais dispendiosos e com maior risco para o doente.

Maria João Meneses, Paula Macedo e Ana Pina

 

O estudo efetuado, já disponível online na revista científica Liver International, comparou dois métodos de avaliação/scores não invasivos para diagnóstico de fibrose hepática em doentes com doença hepática não alcoólica. A prevalência da doença hepática não-alcoólica é maior em pessoas que vivem com diabetes e têm complicações várias como a esteatohepatite que leva a fibrose e cirrose do fígado e cujo diagnóstico é muitas vezes desafiante.

Os investigadores portugueses avaliaram a eficácia do score FNI, em comparação com o mais usado FIB-4, tendo concluído que o FNI tinha uma performance mais alta na identificação do estádio mais grave da doença, de fibrose hepática, não só na população em geral, mas também em pessoas com diabetes tipo 2. “Para o diagnóstico de fibrose hepática existem vários métodos, sendo que o padrão é a biópsia. São necessários, portanto, métodos mais simples e rápidos para a população em geral ou em risco”, dizem as investigadoras Ana Pina e Maria João Menezes, primeiras autoras deste estudo. Sobre o FNI dizem que “pode ser útil não só na prática clínica dos cuidados primários, mas também em unidades de especializadas no tratamento de pessoas com diabetes tipo 2”.

De um estudo clínico com 553 pessoas que vivem com diabetes do tipo 2 e aplicando este score FNI, foi revelado que 13% não necessitariam de exames de diagnóstico mais complexos para avaliação da presença de fibrose hepática, diminuindo assim a carga nos serviços de cuidados de saúde. "Considerando a maior frequência de fígado gordo (~60%) nas pessoas com diabetes tipo 2, este resultado é relevante”, concluem as investigadoras.

Este estudo aconteceu em colaboração entre a unidade de investigação iNOVA4Health da NOVA Medical School, a Future Healthcare Virtual Clinic (FHVC), a DECSIS II Iberia e a Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP).